Tiramos uma marca de 80 anos do território morno e devolvemos a ela personalidade e fôlego para conquistar uma nova geração.
Síntese
A Santo André carregava quase oito décadas de reputação e um café historicamente associado à qualidade. Depois de mudanças internas, porém, parte dessa percepção havia se desgastado e consumidores tradicionais passaram a sentir que o produto “já não era o mesmo”. Com o retorno à operação de um dos sócios mais ligados ao cuidado com a qualidade, surgiu também a oportunidade de reconstruir a imagem da marca. Nosso trabalho entrou justamente nesse ponto de virada: recuperar relevância, reorganizar sua expressão e preparar uma empresa familiar para continuar significativa tanto para quem cresceu com Santo André quanto para uma nova geração de consumidores.
Cenário
O desafio era maior do que redesenhar um pacote de café. A Santo André precisava recuperar uma imagem de qualidade enfraquecida, voltar a engajar uma equipe que já demonstrava cansaço com a falta de novidade e construir uma presença coerente para um negócio que ia além do café. Sob Santo André Alimentos conviviam Café Santo André, Café Cowboy e categorias como feijão, batata palha, achocolatado e coadores de papel. Havia ainda uma questão de organização entre a marca institucional e as marcas de produto, que precisava ficar mais clara sem transformar o trabalho em uma arquitetura complexa. Na gôndola, o desafio era igualmente concreto: concorrentes ocupavam grandes massas cromáticas reconhecíveis à distância, enquanto Santo André dispersava sua presença entre diferentes cores e perdia impacto.
Solução
Começamos por uma imersão na história e na cultura da empresa, combinada à análise do canal alimentar, dos concorrentes, do comportamento de consumo e a um benchmarking internacional. A decisão mais ousada nasceu da própria gôndola: transformar o azul em uma cor proprietária da Santo André. Em uma categoria dominada por marrons, vermelhos e outras cores quentes, assumimos um grande bloco azul para gerar reconhecimento à distância e diferenciação imediata. Uma escolha que trouxe insegurança inicial justamente por romper com códigos esperados do café.
A marca ganhou uma tipografia manuscrita, mais humana e conectada à origem familiar. Também revisitamos elementos históricos: formas que antes apareciam de maneira solta foram reinterpretadas para que, quando combinadas, remetessem ao grão de café, conectando memória, gesto e contemporaneidade. Por fim, ajudamos a esclarecer a relação entre Santo André Alimentos, Café Santo André e Café Cowboy e redesenhamos todas as embalagens contempladas pelo projeto.
Resultados
A nova identidade devolveu vida à marca de dentro para fora. A mudança extrapolou as embalagens e chegou aos ambientes da própria empresa: até a recepção passou a incorporar o azul, a nova marca e seus elementos, materializando internamente o novo momento da Santo André. O portfólio continuou crescendo, com a entrada posterior de produtos como queijo ralado, e a linguagem criada ofereceu uma base mais consistente para novas extensões. Mais do que atualizar uma imagem, o projeto ajudou a recuperar fôlego para dialogar com uma geração de consumidores que não tinha a mesma relação histórica com a marca.






























